Por Nivaldo Cordeiro:
caro leitor que me tem acompanhado sabe que, nos últimos artigos, tenho argumentado sobre o estado de alucinação em que se encontra a política – e por decorrência a Administração Pública – no Brasil. Vimos que autores como Ortega y Gasset e Voegelin têm a resposta teórica aos problemas existenciais que estamos a viver. De fato, a situação brasileira atual não é original, ela se repete como outras inúmeras dos últimos dois séculos. Onde alguma forma de socialismo foi implantada a alucinação tomou o lugar da realidade, como na ex-URSS e na Alemanha de Hitler, para ficarmos apenas nesses casos mais emblemáticos.
Essencialmente podemos dizer que no Brasil também temos que registrar a rebelião das massas, vista e estudada por Ortega, e também a situação de alienação política, relatada por Voegelin. Uma situação sonambúlica tomou conta do nosso país, de sorte que toda a classe dirigente move-se dentro de um “como se assim fosse”, uma irrealidade substituta do real. Um exemplo bastante acabado dessa situação está nas análises e nas propostas para o enfrentamento da questão educacional.
É correto dizer que existe um elemento de ligação entre a má remuneração do professorado das escolas públicas e a qualidade de ensino? Sim, mas esta questão esconde outras, muito mais graves e de solução muito mais difícil. Quando um líder político propõe, de pronto, uma elevação geral dos salários dos professores sem aprofundar o diagnóstico está na verdade produzindo uma falsa solução, que deveria vir por último, e não por primeiro, como medida saneadora da situação do ensino público.
A primeira causa da má qualidade do ensino está na má qualidade dos professores, algo acaciano. Os alunos não podem ser responsabilizados pela falta, seja de vocação, seja de treinamento e mesmo de qualificação de seus mestres. Mais das vezes vemos faltar até mestres das cadeiras relativas às ciências exatas, de sorte que a imprensa tem noticiado a esdrúxula situação de alunos diplomados no ensino médio sem ter tido a devida carga horária de matemática, biologia, física e química.
A indigência intelectual de parte considerável do professorado não pode ser negligenciada, pois o fato contribui para a perpetuação da situação. Aliado ao regime de servidor público dos professores tem-se a construção de uma estabilidade no emprego incompatível com os interesses dos alunos. Tenha vocação ou não, tenha competência ou não, o professor da rede pública continua no seu posto até a morte natural ou a aposentadoria. Ora, sem uma porta de saída para os incompetentes a elevação dos salários apenas irá contribuir para a perpetuação da situação indesejada. Então a discussão precisa começar sobre aquilo que compete ao Estado fazer: se produzir os meios para que alunos carentes possam ter boas escolas ou se administrar uma gigantesca corporação de ofício, cheia de vícios, e um vasto patrimônio que são as edificações mobiliadas que servem de escolas. Deve o Estado privilegiar o que é meio ou o que é fim?
Pareceria muito mais racional privatizar esse vasto patrimônio e, na esteira, mudar o regime de assalariamento da massa de professores, eliminando a indesejável estabilidade no emprego que retém funcionários públicos tornados professores. Aqui teríamos, de uma tacada só, a maximização da eficiência econômica e a eliminação dos falsos mestres, os pobremente vocacionados ou mal treinados para a função, e sua substituição por gente talentosa. Em troca, o Estado proveria para as futuras escolas privatizadas vouchers para os alunos carentes, em princípio toda população que hoje constitui a clientela do ensino público. Bem sabemos que aqueles que podem atualmente não matriculam seus filhos nas escolas públicas de ensino médio e fundamental.
Outra medida preliminar da maior importância é criar uma estrutura de treinamento e reciclagem dos professores, de modo a mudar o foco que se tem hoje. E qual é este? A priorização da militância política em detrimento da formação para a maturidade intelectual, que enseja a ampliação dos horizontes dos professores. Praticamente todo o professorado hoje se tornou massa de manobra política de sindicalistas e militantes revolucionários, transformando-se no vetor de transmissão da doença revolucionária. O compromisso dos professores deixou de ser a educação para ser o adestramento para uma insólita “transformação” social. São formadores de militantes.
Uma educação humanista de profundidade é o antídoto necessário para esse nefasto viés revolucionário que hoje o professorado carrega. O amadurecimento intelectual dos mestres ensejaria uma imediata melhoria da relação ensino/aprendizado. A porta de saída aberta com a mudança no regime jurídico de contratação dos professores produziria um verdadeiro milagre educacional.
O que podemos concluir é que as idéias políticas alucinadas, de viés socialista, só podem produzir soluções farsescas para a questão educacional. Elevar o salário dessa massa de funcionários públicos tornados professores significa meramente o reforço do status quo. Qualquer observador honesto da situação educacional brasileira sabe disso. A proposta é uma pura farsa porque ajuda a fechar a porta de saída daqueles que carecem da verdadeira vocação pedagógica. Como está hoje ser professor é um mero esperar de uma aposentadoria integral. O preço que se paga por isso é o sacrifício da educação da juventude, a quem se nega um ensino adequado, de qualidade.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Tempo de resistência
Por Nivaldo Cordeiro:
Existir é resistir . O que a revista Veja registrou em sua última edição, em matéria de escutas telefônicas envolvendo os poderes Legislativo e Judiciário, ao arrepio de todas as leis, é gravíssimo. Sintoma de que está em vigência um Estado policial, completamente fora do controle no Brasil.
Existir é resistir. Quando os limites da moralidade pública chegam nesse nível de baixeza não é apenas a existência das instituições que corre perigo. A das pessoas também. Foi assim em toda a parte e não podemos nos esquecer da clássica história da Alemanha nazista, em que um bando de celerados decididos destruiu a ordem democrática desde dentro. Não trouxeram apenas a guerra, vieram os fornos crematórios, o Mal Lógico praticado em total inteireza.
Existir é resistir. Não sei o que fará o corajoso e íntegro Gilmar Mendes, presidente do STF, e nem o que aquela Corte que preside decidirá. Se ficar barato, na demissão de alguns tantos bagrinhos dedicados à espia dos titulares das instituições, então não haverá resistência alguma ao arbítrio e os celerados tomarão conta de tudo nessa infeliz República. Não pode ser aceita a tese de que esses gatos pingados fizeram o que fizeram sem uma ordem direta, desde cima. Não se pode também fechar os olhos para a realidade de que se praticam essas ilegalidades em larga escala, desde que Lula assumiu o poder. Pode-se até se aceitar que o presidente da República não deu a ordem, mas algum ministro haverá de ter dado. Nenhum bagrinho na espia teria o que fazer com a gravação das conversas das autoridades que não passá-las ao chefe, prenhe de propósitos inconfessos.
Existir é resistir. É tempo de dar um basta, de dizer “Não!” ao arbítrio que nos ameaça. Sem uma trava histórica digna do desafio haverá a rendição da ordem instituída e os celerados bandoleiros darão os passos seguintes da sua previsível caminhada. E a resistência terá que ser feita por aqueles a quem a História incumbiu de fazê-la: as próprias autoridades espiadas, que estão fora do poder Executivo, que executou as escutas. Nem a Gilmar Mendes e nem a Garibaldi Alves e nem aos seus pares poderá ser dado o crédito da omissão. Omissão aqui é débito com todos os brasileiros. Não resistir é suicidar-se.
Eu sinto que pessoas íntegras como Gilmar Mendes resistirão, mas poderão ficar sozinhas. As instituições que representam estão fragilizadas, sem apoio popular. O STF, por exemplo, não pode ser considerado um guardião das leis quando estas mudam a cada minuto. A nossa (des)ordem legal é mutante, cambiante. A sanha legiferante tem sido usada para deformar o sistema jurídico, que não mais protege a propriedade privada, algumas liberdades pessoais (veja-se a tal Lei Seca, a plena invasão do foro íntimo de decisão), a privacidade, que já gravam até as conversas do presidente do STF.
Até a soberania nacional está sendo erodida por decretos do Executivo, como pudemos ver com a demarcação contínua de vastas reservas indígenas na zona de fronteira, verdadeiros enclaves doados sem consulta aos brasileiros, alienando a herança das futuras gerações. Não tenho registro de algum povo que tenha alienado seu território sem nenhuma ameaça externa. Nem a frágil Geórgia diante da Grande Rússia encolheu-se. Perdeu, mas lutou.
Resistir é condição de existir. A covardia e a omissão não protegerão ninguém em particular, mas custarão caro no plano coletivo. O desafio de lutar pela liberdade e pela democracia está novamente posto aos brasileiros. Haverão de resistir?
Existir é resistir . O que a revista Veja registrou em sua última edição, em matéria de escutas telefônicas envolvendo os poderes Legislativo e Judiciário, ao arrepio de todas as leis, é gravíssimo. Sintoma de que está em vigência um Estado policial, completamente fora do controle no Brasil.
Existir é resistir. Quando os limites da moralidade pública chegam nesse nível de baixeza não é apenas a existência das instituições que corre perigo. A das pessoas também. Foi assim em toda a parte e não podemos nos esquecer da clássica história da Alemanha nazista, em que um bando de celerados decididos destruiu a ordem democrática desde dentro. Não trouxeram apenas a guerra, vieram os fornos crematórios, o Mal Lógico praticado em total inteireza.
Existir é resistir. Não sei o que fará o corajoso e íntegro Gilmar Mendes, presidente do STF, e nem o que aquela Corte que preside decidirá. Se ficar barato, na demissão de alguns tantos bagrinhos dedicados à espia dos titulares das instituições, então não haverá resistência alguma ao arbítrio e os celerados tomarão conta de tudo nessa infeliz República. Não pode ser aceita a tese de que esses gatos pingados fizeram o que fizeram sem uma ordem direta, desde cima. Não se pode também fechar os olhos para a realidade de que se praticam essas ilegalidades em larga escala, desde que Lula assumiu o poder. Pode-se até se aceitar que o presidente da República não deu a ordem, mas algum ministro haverá de ter dado. Nenhum bagrinho na espia teria o que fazer com a gravação das conversas das autoridades que não passá-las ao chefe, prenhe de propósitos inconfessos.
Existir é resistir. É tempo de dar um basta, de dizer “Não!” ao arbítrio que nos ameaça. Sem uma trava histórica digna do desafio haverá a rendição da ordem instituída e os celerados bandoleiros darão os passos seguintes da sua previsível caminhada. E a resistência terá que ser feita por aqueles a quem a História incumbiu de fazê-la: as próprias autoridades espiadas, que estão fora do poder Executivo, que executou as escutas. Nem a Gilmar Mendes e nem a Garibaldi Alves e nem aos seus pares poderá ser dado o crédito da omissão. Omissão aqui é débito com todos os brasileiros. Não resistir é suicidar-se.
Eu sinto que pessoas íntegras como Gilmar Mendes resistirão, mas poderão ficar sozinhas. As instituições que representam estão fragilizadas, sem apoio popular. O STF, por exemplo, não pode ser considerado um guardião das leis quando estas mudam a cada minuto. A nossa (des)ordem legal é mutante, cambiante. A sanha legiferante tem sido usada para deformar o sistema jurídico, que não mais protege a propriedade privada, algumas liberdades pessoais (veja-se a tal Lei Seca, a plena invasão do foro íntimo de decisão), a privacidade, que já gravam até as conversas do presidente do STF.
Até a soberania nacional está sendo erodida por decretos do Executivo, como pudemos ver com a demarcação contínua de vastas reservas indígenas na zona de fronteira, verdadeiros enclaves doados sem consulta aos brasileiros, alienando a herança das futuras gerações. Não tenho registro de algum povo que tenha alienado seu território sem nenhuma ameaça externa. Nem a frágil Geórgia diante da Grande Rússia encolheu-se. Perdeu, mas lutou.
Resistir é condição de existir. A covardia e a omissão não protegerão ninguém em particular, mas custarão caro no plano coletivo. O desafio de lutar pela liberdade e pela democracia está novamente posto aos brasileiros. Haverão de resistir?
Desarmamento: Olha eles de novo
Por Peter Hoff:
O título de uma matéria assinada por Jailton de Carvalho e publicada na página 15 do jornal O Globo, de 22/08/2008, é: Nova campanha de desarmamento é lançada pela União. O primeiro fato a chamar a atenção do leitor é que, enquanto nos “bons tempos” este assunto teria direito a chamada de capa – incluindo uma foto do Ministro da Justiça, com uma arma na mão, olhando-a com ar de desprezo – , agora a matéria é relegada a um espaço de 6x20 centímetros, escondido no pé da página 15. Tudo indica que o jornal O Globo, escaldado com o certeiro ponta-pé que levou na região glútea, por ocasião do Referendo de 23/10/2005, resolveu não se expor, nem se envolver nesse assunto.
Vamos analisar, em detalhe, o conteúdo da matéria e as opiniões do Ministro da Justiça:
O Ministro da Justiça, Tarso Genro, lançou ontem a nova campanha do desarmamento orçada em R$46 milhões. Nossas polícias, tanto a Militar quanto a Civil ou a Federal, de modo geral sofrem com a crônica falta de verbas para treinamento e reequipamento. Não faria mais sentido usar esse dinheiro em atividades que resultem em melhora dos serviços de segurança ao cidadão, em vez de ficar fazendo pirotecnia eleitoreira?
Com a iniciativa, o governo espera recolher ou incentivar o registro de mais de 300 mil armas de fogo. Primeiro, é preciso separar as coisas: para registrar sua arma, o cidadão paga; para entregá-la, recebe (ou deveria receber) uma determinada quantia em dinheiro. O registro de uma arma não resulta em ônus, e sim em receita para o Estado. Desta forma, todo o desembolso ficará por conta das armas que forem entregues. Vamos assumir que 85% dos que entregarem suas armas receberão R$100, e 15%, R$300. Isso resultará em um desembolso médio ponderado por parte do governo de R$130 por arma recolhida. Como a verba destinada é de R$40 Milhões (mais R$6 Milhões para divulgação), conclui-se que o doutor Tarso tem como meta recolher 308 mil armas, de 21 agosto até 31/12/2008.
O próprio governo informa que, durante a Campanha do Desarmamento que durou 22 meses – com direito ao que chamei de Caravana Rolidei do Desarmamento, apoio maciço das Organizações Globo, ONGs e Governos estrangeiros – conseguiu recolher 550 mil armas. Alguém acredita que agora, sem a antiga infra-estrutura de apoio e desgastados pela acachapante derrota no referendo, vão conseguir recolher, em quatro meses, o equivalente a 54% das armas recolhidas na primeira campanha que durou quase dois anos?
Essa nova campanha está fadada ao insucesso pelas seguintes razões:
1. O grosso das armas em mãos de cidadãos idosos influenciados pela algaravia apocalíptica do governo e de viúvas assustadas já foi recolhido. Eram, em sua grande maioria, cacos velhos sem nenhuma utilidade como arma. Quem tem uma arma em bom estado e ainda não a entregou não tem nenhum motivo pra fazê-lo agora;
2. A maioria das armas recolhidas era de grandes centros urbanos; restam agora, majoritariamente, armas em áreas rurais. Essas armas são o único instrumento de defesa que o cidadão tem, morando a quilômetros de uma delegacia. Assim, ele não se preocupa com registro – que lhe custará um bom dinheiro – nem, muito menos, vai entregá-la. Alguém que mora em uma cidade longe de um posto de recolhimento necessita ir a uma delegacia de polícia, solicitar uma guia de trânsito, depois pegar um ônibus para ir ao local de entrega. Dependendo do local onde o cidadão more, ele vai gastar mais com passagens do que receberá (receberá?) do governo.
3. A população não confia no governo, porque muita gente, ingênua o suficiente para confiar em promessas, entregou suas armas e não recebeu o pagamento (tenho uma pasta cheia de recortes de cartas de leitores reclamando por não ter recebido o pagamento por sua arma devolvida). Por uma questão de respeito aos cidadãos, o governo deveria dizer quanto pagou de indenização e quantos cidadãos ainda devem receber o prometido.
4. E aqui reside o fato mais sério: recentemente renovei minha carteira de identidade. É inimaginável o grau de detalhes que você deve fornecer sobre sua vida, coisas como estado civil, nome da esposa, endereço, telefone e, pasmem, e-mail! Fica aqui a pergunta que eu e muita gente se faz: o que impede que amanhã outro congresso, prenhe de “brilhantes cabeças pensantes” como o atual, não resolva fazer uma lei obrigando que todas as armas registradas sejam entregues por seus proprietários à polícia? É só cruzar os dados da carteira de identidade com os do registro da arma e eles saberão exatamente quem tem e onde está a arma a ser confiscada. Quem garante, amigo leitor, que esta não é a estratégia do governo por trás dessa balela toda?
5. Segundo o senador Renan Calheiros, que imagino bem informado, existiam no Brasil 20 milhões de armas (eu pessoalmente não acredito nesse número). Vamos assumir que cinco milhões sejam registradas de forma regular. Como foram recolhidas 550 mil, ainda existem 14,5 milhões armas irregulares. Retirar 300 mil, ou seja, 2% delas, vai resolver o problema ou é apenas mais um exercício de ilusionismo governamental?
Para Tarso Genro, a redução das armas em circulação não resolve o problema da segurança pública no país, mas ajuda a conter a violência. Senhor Ministro, o que resolve o problema da segurança pública e ajuda a conter a violência é um eficiente trabalho de inteligência apoiado por um completo banco de dados. Apenas um exemplo: até hoje, o SUS não publicou o relatório anual Intitulado Óbitos por UF de Residência, referentes aos anos 2005, 2006 e 2007. Esse relatório é peça essencial para análise de mortes ocorridas no país. É preciso também que possamos contar com uma polícia bem treinada (segundo o jornal O Globo, policiais do Rio de Janeiro passam até dez anos sem serem treinados ou reciclados), bem paga e bem equipada. Um elemento chave é uma polícia de fronteiras eficiente, com contingente e recursos materiais compatíveis com a tarefa de fiscalizar nossas fronteiras terrestres. Ademais, é preciso falar grosso com o Paraguai e a Bolívia, em especial o primeiro, e dizer-lhes claramente que se eles não tomarem um providência nós vamos tomá-la (já vimos que carinho por essa gente não resolve o problema). Já que o senhor está preocupado com o .38 na mão do cidadão de bem, recomendo-lhe que leia a matéria publicada no Globo de 22/07/08, página 16, onde poderá esclarecer alguns fatos sobre a origem e calibres das armas usadas pelos traficantes cariocas, estas sim o verdadeiro perigo, que tudo leva a crer o senhor, embora Ministro da Justiça, desconhece. Já o exército do companheiro Evo Morales, para retribuir o carinho que o presidente do Brasil dedica ao povo boliviano, tem enviado para os morros cariocas metralhadoras .30, graciosamente decoradas com o brasão boliviano (O Globo, 04/08/08, página 10).
Com menos armas em circulação, a tendência é que os riscos de bala perdida também diminuam, segundo o ministro. Aqui, o ministro bem que se esforçou, mas tudo o que conseguiu produzir foi uma meia verdade. Sim, doutor Tarso, menos armas significam menos balas perdidas. Lamentavelmente, o senhor só esqueceu de dizer que a maioria esmagadora das balas perdidas foram disparadas por armas de calibres exclusivos das forças armadas e das polícias civil e militar (e dos traficantes, naturalmente). Determine que se produza um relatório onde qualquer pessoa morta ou ferida por bala perdida tenha a munição que a atingiu coletada e identificada. O senhor vai então descobrir o que qualquer médico de pronto-socorro ou de Instituto Médico Legal está cansado de saber: que a maioria absoluta das vítimas foi atingida por munição calibre .223, .308, .40 ou 9 milímetros.
Há quatro anos estou fazendo um estudo baseado em notícia de jornais que pretendo publicar em breve. O estudo mostra que, do total de vítimas (só incluindo óbitos, não feridos), aqueles por “balas perdidas” (quando não se pode determinar a origem) representam 5,9% do total das ocorrências, enquanto mortes diretamente relacionadas a conflitos entre a polícia e a marginalidade, resultantes de ferimentos com calibres privativos, são 94,1%.
Portanto, responsabilizar cidadãos de bem por tragédias que têm como origem “bala perdida” é: a) Ludibriar o contribuinte e b) Não querer resolver o problema.
O título de uma matéria assinada por Jailton de Carvalho e publicada na página 15 do jornal O Globo, de 22/08/2008, é: Nova campanha de desarmamento é lançada pela União. O primeiro fato a chamar a atenção do leitor é que, enquanto nos “bons tempos” este assunto teria direito a chamada de capa – incluindo uma foto do Ministro da Justiça, com uma arma na mão, olhando-a com ar de desprezo – , agora a matéria é relegada a um espaço de 6x20 centímetros, escondido no pé da página 15. Tudo indica que o jornal O Globo, escaldado com o certeiro ponta-pé que levou na região glútea, por ocasião do Referendo de 23/10/2005, resolveu não se expor, nem se envolver nesse assunto.
Vamos analisar, em detalhe, o conteúdo da matéria e as opiniões do Ministro da Justiça:
O Ministro da Justiça, Tarso Genro, lançou ontem a nova campanha do desarmamento orçada em R$46 milhões. Nossas polícias, tanto a Militar quanto a Civil ou a Federal, de modo geral sofrem com a crônica falta de verbas para treinamento e reequipamento. Não faria mais sentido usar esse dinheiro em atividades que resultem em melhora dos serviços de segurança ao cidadão, em vez de ficar fazendo pirotecnia eleitoreira?
Com a iniciativa, o governo espera recolher ou incentivar o registro de mais de 300 mil armas de fogo. Primeiro, é preciso separar as coisas: para registrar sua arma, o cidadão paga; para entregá-la, recebe (ou deveria receber) uma determinada quantia em dinheiro. O registro de uma arma não resulta em ônus, e sim em receita para o Estado. Desta forma, todo o desembolso ficará por conta das armas que forem entregues. Vamos assumir que 85% dos que entregarem suas armas receberão R$100, e 15%, R$300. Isso resultará em um desembolso médio ponderado por parte do governo de R$130 por arma recolhida. Como a verba destinada é de R$40 Milhões (mais R$6 Milhões para divulgação), conclui-se que o doutor Tarso tem como meta recolher 308 mil armas, de 21 agosto até 31/12/2008.
O próprio governo informa que, durante a Campanha do Desarmamento que durou 22 meses – com direito ao que chamei de Caravana Rolidei do Desarmamento, apoio maciço das Organizações Globo, ONGs e Governos estrangeiros – conseguiu recolher 550 mil armas. Alguém acredita que agora, sem a antiga infra-estrutura de apoio e desgastados pela acachapante derrota no referendo, vão conseguir recolher, em quatro meses, o equivalente a 54% das armas recolhidas na primeira campanha que durou quase dois anos?
Essa nova campanha está fadada ao insucesso pelas seguintes razões:
1. O grosso das armas em mãos de cidadãos idosos influenciados pela algaravia apocalíptica do governo e de viúvas assustadas já foi recolhido. Eram, em sua grande maioria, cacos velhos sem nenhuma utilidade como arma. Quem tem uma arma em bom estado e ainda não a entregou não tem nenhum motivo pra fazê-lo agora;
2. A maioria das armas recolhidas era de grandes centros urbanos; restam agora, majoritariamente, armas em áreas rurais. Essas armas são o único instrumento de defesa que o cidadão tem, morando a quilômetros de uma delegacia. Assim, ele não se preocupa com registro – que lhe custará um bom dinheiro – nem, muito menos, vai entregá-la. Alguém que mora em uma cidade longe de um posto de recolhimento necessita ir a uma delegacia de polícia, solicitar uma guia de trânsito, depois pegar um ônibus para ir ao local de entrega. Dependendo do local onde o cidadão more, ele vai gastar mais com passagens do que receberá (receberá?) do governo.
3. A população não confia no governo, porque muita gente, ingênua o suficiente para confiar em promessas, entregou suas armas e não recebeu o pagamento (tenho uma pasta cheia de recortes de cartas de leitores reclamando por não ter recebido o pagamento por sua arma devolvida). Por uma questão de respeito aos cidadãos, o governo deveria dizer quanto pagou de indenização e quantos cidadãos ainda devem receber o prometido.
4. E aqui reside o fato mais sério: recentemente renovei minha carteira de identidade. É inimaginável o grau de detalhes que você deve fornecer sobre sua vida, coisas como estado civil, nome da esposa, endereço, telefone e, pasmem, e-mail! Fica aqui a pergunta que eu e muita gente se faz: o que impede que amanhã outro congresso, prenhe de “brilhantes cabeças pensantes” como o atual, não resolva fazer uma lei obrigando que todas as armas registradas sejam entregues por seus proprietários à polícia? É só cruzar os dados da carteira de identidade com os do registro da arma e eles saberão exatamente quem tem e onde está a arma a ser confiscada. Quem garante, amigo leitor, que esta não é a estratégia do governo por trás dessa balela toda?
5. Segundo o senador Renan Calheiros, que imagino bem informado, existiam no Brasil 20 milhões de armas (eu pessoalmente não acredito nesse número). Vamos assumir que cinco milhões sejam registradas de forma regular. Como foram recolhidas 550 mil, ainda existem 14,5 milhões armas irregulares. Retirar 300 mil, ou seja, 2% delas, vai resolver o problema ou é apenas mais um exercício de ilusionismo governamental?
Para Tarso Genro, a redução das armas em circulação não resolve o problema da segurança pública no país, mas ajuda a conter a violência. Senhor Ministro, o que resolve o problema da segurança pública e ajuda a conter a violência é um eficiente trabalho de inteligência apoiado por um completo banco de dados. Apenas um exemplo: até hoje, o SUS não publicou o relatório anual Intitulado Óbitos por UF de Residência, referentes aos anos 2005, 2006 e 2007. Esse relatório é peça essencial para análise de mortes ocorridas no país. É preciso também que possamos contar com uma polícia bem treinada (segundo o jornal O Globo, policiais do Rio de Janeiro passam até dez anos sem serem treinados ou reciclados), bem paga e bem equipada. Um elemento chave é uma polícia de fronteiras eficiente, com contingente e recursos materiais compatíveis com a tarefa de fiscalizar nossas fronteiras terrestres. Ademais, é preciso falar grosso com o Paraguai e a Bolívia, em especial o primeiro, e dizer-lhes claramente que se eles não tomarem um providência nós vamos tomá-la (já vimos que carinho por essa gente não resolve o problema). Já que o senhor está preocupado com o .38 na mão do cidadão de bem, recomendo-lhe que leia a matéria publicada no Globo de 22/07/08, página 16, onde poderá esclarecer alguns fatos sobre a origem e calibres das armas usadas pelos traficantes cariocas, estas sim o verdadeiro perigo, que tudo leva a crer o senhor, embora Ministro da Justiça, desconhece. Já o exército do companheiro Evo Morales, para retribuir o carinho que o presidente do Brasil dedica ao povo boliviano, tem enviado para os morros cariocas metralhadoras .30, graciosamente decoradas com o brasão boliviano (O Globo, 04/08/08, página 10).
Com menos armas em circulação, a tendência é que os riscos de bala perdida também diminuam, segundo o ministro. Aqui, o ministro bem que se esforçou, mas tudo o que conseguiu produzir foi uma meia verdade. Sim, doutor Tarso, menos armas significam menos balas perdidas. Lamentavelmente, o senhor só esqueceu de dizer que a maioria esmagadora das balas perdidas foram disparadas por armas de calibres exclusivos das forças armadas e das polícias civil e militar (e dos traficantes, naturalmente). Determine que se produza um relatório onde qualquer pessoa morta ou ferida por bala perdida tenha a munição que a atingiu coletada e identificada. O senhor vai então descobrir o que qualquer médico de pronto-socorro ou de Instituto Médico Legal está cansado de saber: que a maioria absoluta das vítimas foi atingida por munição calibre .223, .308, .40 ou 9 milímetros.
Há quatro anos estou fazendo um estudo baseado em notícia de jornais que pretendo publicar em breve. O estudo mostra que, do total de vítimas (só incluindo óbitos, não feridos), aqueles por “balas perdidas” (quando não se pode determinar a origem) representam 5,9% do total das ocorrências, enquanto mortes diretamente relacionadas a conflitos entre a polícia e a marginalidade, resultantes de ferimentos com calibres privativos, são 94,1%.
Portanto, responsabilizar cidadãos de bem por tragédias que têm como origem “bala perdida” é: a) Ludibriar o contribuinte e b) Não querer resolver o problema.
Um país sem heróis
Por Allan Cruz:
Não é preciso ser nenhum expert em História para perceber o desdém com que nós brasileiros tratamos nossas figuras históricas. Ao contrário dos EUA em que se tem total respeito aos Foundig Fathers, ou Pais da Pátria, aqui em nosso país ridicularizamos tudo, até mesmo Dom João VI em que sua vinda consolidou nossa nação e abriu caminho para a independência.
Mas nós somos muitos espertos, os portugueses que não eram, não é verdade? Veja só um país como Portugal pequenino com a Espanha que se tornou em seguida a maior potência do mundo, mesmo após a União Ibérica, levou nosso país a ter um território muito maior.
Tivemos Dom Pedro II, um homem de grande cultura , José Bonifácio, Joaquim Nabuco, aliás quantos brasileiros já ouviram falar de Joaquim Nabuco, ou Partido Abolicionista? Quantos leram sua obra prima, O Abolicionismo? Acho que muito poucos, estávamos mais ocupados em nossas escolas com a doutrinação pseudo-marxista em voga. Não houve tempo para conhecer o Movimento Abolicionista… Hoje os nossos governantes estão mais interessados em que aprendamos História da África, aliás qual África até hoje não sei, afinal é um continente completamente heterogêneo, ao invés da nossa própria História.
Posso estar errado, não sou psicólogo, sou um simples blogueiro, mas para onde é canalizado esta “falta” de heróis? Digo falta de heróis pois, não tivemos sequer o direito de comemorar os 500 anos de nosso país, os bate-paus esquerdistas fizeram inúmeros protestos de forma a desgastar o presidente da época, tudo para chegar ao poder! Tudo pelo poder! Temos que nos envergonhar de tudo, destruir nossa nacionalidade.
Não é esconder nosso passado, mas é ficarmos felizes por muita coisa ter mudado e por termos hoje um país pacífico, com fronteiras definidas e com um futuro e passado em comum. Se formos viver apenas de ressentimentos, vamos nos matar aqui, aliás nenhum país do mundo conseguiria conviver, imagine a Europa, que teve “opressores” Romanos, Francos, Vândalos, invasão Árabe , os Bárbaros e por aí vai… Isso é o que tem ocorrido na África, uma etnia matando a outra por causa do formato diferente do nariz…
Bem fugi do assunto, penso que toda essa necessidade de referências é conduzida para o esporte. Nestas Olimpíadas vimos cenas grotescas. Chegamos ao cúmulo de um atleta pedir desculpas, desculpas pelo que? A mim ele não deve desculpas alguma, pode ficar com a consciência tranqüila, meu amigo.
O Brasil provavelmente está se tornando piada no exterior, nossos atletas choram quando vencem, quando perdem, quando dão entrevistas, enfim, se banalizaram as lágrimas. A televisão já vai entrevistar com aquela expectativa de “emoção” afinal o povo gosta, brasileiro é emotivo… Parece aquele quadro do Faustão em que um artista dá entrevista, se colocam parentes, amigos que perderam contato, até que enfim, o ator chora!! Fantástico, o objetivo foi alcançado.
Sei que lancei um bando de idéias nestes texto, a concisão não é a melhor, mas enquanto não observamos que em nosso passado há grandes figuras em quem se espelhar, ficaremos tristes como se tivéssemos perdido uma guerra, quando levarmos um Gol, ou perdermos um set.
O Brasil não se encerra em quatro linhas, o Brasil é muito maior.
Não é preciso ser nenhum expert em História para perceber o desdém com que nós brasileiros tratamos nossas figuras históricas. Ao contrário dos EUA em que se tem total respeito aos Foundig Fathers, ou Pais da Pátria, aqui em nosso país ridicularizamos tudo, até mesmo Dom João VI em que sua vinda consolidou nossa nação e abriu caminho para a independência.
Mas nós somos muitos espertos, os portugueses que não eram, não é verdade? Veja só um país como Portugal pequenino com a Espanha que se tornou em seguida a maior potência do mundo, mesmo após a União Ibérica, levou nosso país a ter um território muito maior.
Tivemos Dom Pedro II, um homem de grande cultura , José Bonifácio, Joaquim Nabuco, aliás quantos brasileiros já ouviram falar de Joaquim Nabuco, ou Partido Abolicionista? Quantos leram sua obra prima, O Abolicionismo? Acho que muito poucos, estávamos mais ocupados em nossas escolas com a doutrinação pseudo-marxista em voga. Não houve tempo para conhecer o Movimento Abolicionista… Hoje os nossos governantes estão mais interessados em que aprendamos História da África, aliás qual África até hoje não sei, afinal é um continente completamente heterogêneo, ao invés da nossa própria História.
Posso estar errado, não sou psicólogo, sou um simples blogueiro, mas para onde é canalizado esta “falta” de heróis? Digo falta de heróis pois, não tivemos sequer o direito de comemorar os 500 anos de nosso país, os bate-paus esquerdistas fizeram inúmeros protestos de forma a desgastar o presidente da época, tudo para chegar ao poder! Tudo pelo poder! Temos que nos envergonhar de tudo, destruir nossa nacionalidade.
Não é esconder nosso passado, mas é ficarmos felizes por muita coisa ter mudado e por termos hoje um país pacífico, com fronteiras definidas e com um futuro e passado em comum. Se formos viver apenas de ressentimentos, vamos nos matar aqui, aliás nenhum país do mundo conseguiria conviver, imagine a Europa, que teve “opressores” Romanos, Francos, Vândalos, invasão Árabe , os Bárbaros e por aí vai… Isso é o que tem ocorrido na África, uma etnia matando a outra por causa do formato diferente do nariz…
Bem fugi do assunto, penso que toda essa necessidade de referências é conduzida para o esporte. Nestas Olimpíadas vimos cenas grotescas. Chegamos ao cúmulo de um atleta pedir desculpas, desculpas pelo que? A mim ele não deve desculpas alguma, pode ficar com a consciência tranqüila, meu amigo.
O Brasil provavelmente está se tornando piada no exterior, nossos atletas choram quando vencem, quando perdem, quando dão entrevistas, enfim, se banalizaram as lágrimas. A televisão já vai entrevistar com aquela expectativa de “emoção” afinal o povo gosta, brasileiro é emotivo… Parece aquele quadro do Faustão em que um artista dá entrevista, se colocam parentes, amigos que perderam contato, até que enfim, o ator chora!! Fantástico, o objetivo foi alcançado.
Sei que lancei um bando de idéias nestes texto, a concisão não é a melhor, mas enquanto não observamos que em nosso passado há grandes figuras em quem se espelhar, ficaremos tristes como se tivéssemos perdido uma guerra, quando levarmos um Gol, ou perdermos um set.
O Brasil não se encerra em quatro linhas, o Brasil é muito maior.
Insatisfação generalizada no Mato Grosso do Sul
Por GPS do Agronegócio:
Os produtores rurais de Mato Grosso do Sul preparam manifestações contra as portarias que demarcaram 1/3 de seu território como reservas indígenas. Em razão da insatisfação generalizada, alguns sindicatos rurais buscam apoio da sociedade para suas mobilizações.
Uma delas está marcada para o próximo dia 27, em Ponta Porã. O Sindicato Rural pretende reunir quatro mil pessoas e mostrar os prejuízos que o Estado terá com as demarcações. No final da concentração, os interessados poderão fazer uso da palavra.
Para Roney Fucks, presidente do Sindicato de Ponta Porã, o problema dessas imensas reservas não é só dos fazendeiros e indígenas, mas de todos. Se as demarcações acontecerem da maneira e nas proporções desejadas pela FUNAI, o Estado ficará inviabilizado, pois o órgão estatal não tem sequer projeto de para as aldeias já existentes, imagina para as novas.
Fucks ainda ressalta que a FUNAI precisa criar projetos para desenvolver e integrar o índio: mecanismos que os levem a viver como todos nós, e os índios, aliás, querem isto. Sem tais condições, virão a depressão, o alcoolismo, a violência nas aldeias.
Um dos pontos do acordo firmado entre a FUNAI e o Estado é o compromisso de garantir o pagamento pelas propriedades tanto pela terra nua quanto pelas benfeitorias. Conforme a Constituição Federal, não há previsão de pagamento pela terra nua.
Por sua vez, o governador André Puccinelli, diz não entender como a FUNAI pôde baixar tais portarias, e pergunta: É justo que os produtores tenham suas terras tomadas, terras adquiridas de boa fé e registradas em cartório? O governo federal não está grilando a terra deles?
Fucks lembra que o Estatuto do Índio prevê a criação de colônias indígenas agrícolas e, inclusive, o governo federal pode comprar terras para esse fim. O governo federal tem ferramentas para fazer isto. Não sei o por que a FUNAI não fazer isto. Vejo interesses escusos de organizações e entidades por trás disto tudo, concluiu
Os produtores rurais de Mato Grosso do Sul preparam manifestações contra as portarias que demarcaram 1/3 de seu território como reservas indígenas. Em razão da insatisfação generalizada, alguns sindicatos rurais buscam apoio da sociedade para suas mobilizações.
Uma delas está marcada para o próximo dia 27, em Ponta Porã. O Sindicato Rural pretende reunir quatro mil pessoas e mostrar os prejuízos que o Estado terá com as demarcações. No final da concentração, os interessados poderão fazer uso da palavra.
Para Roney Fucks, presidente do Sindicato de Ponta Porã, o problema dessas imensas reservas não é só dos fazendeiros e indígenas, mas de todos. Se as demarcações acontecerem da maneira e nas proporções desejadas pela FUNAI, o Estado ficará inviabilizado, pois o órgão estatal não tem sequer projeto de para as aldeias já existentes, imagina para as novas.
Fucks ainda ressalta que a FUNAI precisa criar projetos para desenvolver e integrar o índio: mecanismos que os levem a viver como todos nós, e os índios, aliás, querem isto. Sem tais condições, virão a depressão, o alcoolismo, a violência nas aldeias.
Um dos pontos do acordo firmado entre a FUNAI e o Estado é o compromisso de garantir o pagamento pelas propriedades tanto pela terra nua quanto pelas benfeitorias. Conforme a Constituição Federal, não há previsão de pagamento pela terra nua.
Por sua vez, o governador André Puccinelli, diz não entender como a FUNAI pôde baixar tais portarias, e pergunta: É justo que os produtores tenham suas terras tomadas, terras adquiridas de boa fé e registradas em cartório? O governo federal não está grilando a terra deles?
Fucks lembra que o Estatuto do Índio prevê a criação de colônias indígenas agrícolas e, inclusive, o governo federal pode comprar terras para esse fim. O governo federal tem ferramentas para fazer isto. Não sei o por que a FUNAI não fazer isto. Vejo interesses escusos de organizações e entidades por trás disto tudo, concluiu
Correa, Lula e a teoria da fraternidade
Por Reinaldo Azevedo:
Sabem por que Lula é assim tão generoso com o seu (não nosso!) “irmão menor”? Porque, no fundo, reconhece como politicamente legítima a ação doidivanas do candidato a ditador do Equador. Ora, claro que o rompante tem natureza eleitoral. Disso todos sabemos: constrangedor é que o presidente brasileiro, em vez de acusar a manobra, censurando que o país seja usado como bode expiatório, reconheça o movimento como normal. Não é.
Outro irmão menor, a Bolívia, já nos tomou a Petrobras, com a ajuda do também “familiar” Hugo Chávez. Fernando Lugo, do Paraguai, vai rasgar o contrato e arrancar do Brasil mais dinheiro pela energia de Itaipu. Todas as vezes em que a Argentina estrilou buscando salvaguardas no comércio bilateral, o Brasil disse “sim”. A família política de Lula é gigantesca. O país é tratado regionalmente como se fosse uma espécie de império — e o nosso imperialismo, originalíssimo, consiste em sempre mostrar o traseiro.
Observem que não houve, do Itamarati ou de Lula, uma só palavra de censura à porra-louquice do equatoriano. Nada! Mais: o Apedeuta trata tudo como se fosse uma mera questão de relações pessoais: “O Correa vai me ligar” — como se isso fosse evidência do seu prestígio... O fato é que Lula e Celso Amorim conduzem uma política externa, nesse e em outros casos, que tem muito pouco a ver com o Brasil e tudo a ver com o petismo e com o próprio Babalorixá. Há um claro empenho em fortalecer as posições de governos autoritários e/ou populistas como os de Chávez, Evo Morales, Correa e Lugo. Não se esqueçam de que estão todos devidamente representados no Foro de São Paulo, liderado pelo Brasil.
Jamais aconteceria, mas pensemos por hipótese: e se o governo americano — ou mesmo colombiano — aplicasse uma medida de força contra alguma empresa brasileira, perseguindo quatro de seus funcionários, ameaçando ainda romper um contrato com o país? A retórica beligerante iria se assanhar na hora, é óbvio. Lula estabeleceu com essas exóticas figuras latino-americanas uma estranha relação: é uma espécie de chefe dos bandoleiros, embora seja constantemente humilhado por eles.
Sabem por que Lula é assim tão generoso com o seu (não nosso!) “irmão menor”? Porque, no fundo, reconhece como politicamente legítima a ação doidivanas do candidato a ditador do Equador. Ora, claro que o rompante tem natureza eleitoral. Disso todos sabemos: constrangedor é que o presidente brasileiro, em vez de acusar a manobra, censurando que o país seja usado como bode expiatório, reconheça o movimento como normal. Não é.
Outro irmão menor, a Bolívia, já nos tomou a Petrobras, com a ajuda do também “familiar” Hugo Chávez. Fernando Lugo, do Paraguai, vai rasgar o contrato e arrancar do Brasil mais dinheiro pela energia de Itaipu. Todas as vezes em que a Argentina estrilou buscando salvaguardas no comércio bilateral, o Brasil disse “sim”. A família política de Lula é gigantesca. O país é tratado regionalmente como se fosse uma espécie de império — e o nosso imperialismo, originalíssimo, consiste em sempre mostrar o traseiro.
Observem que não houve, do Itamarati ou de Lula, uma só palavra de censura à porra-louquice do equatoriano. Nada! Mais: o Apedeuta trata tudo como se fosse uma mera questão de relações pessoais: “O Correa vai me ligar” — como se isso fosse evidência do seu prestígio... O fato é que Lula e Celso Amorim conduzem uma política externa, nesse e em outros casos, que tem muito pouco a ver com o Brasil e tudo a ver com o petismo e com o próprio Babalorixá. Há um claro empenho em fortalecer as posições de governos autoritários e/ou populistas como os de Chávez, Evo Morales, Correa e Lugo. Não se esqueçam de que estão todos devidamente representados no Foro de São Paulo, liderado pelo Brasil.
Jamais aconteceria, mas pensemos por hipótese: e se o governo americano — ou mesmo colombiano — aplicasse uma medida de força contra alguma empresa brasileira, perseguindo quatro de seus funcionários, ameaçando ainda romper um contrato com o país? A retórica beligerante iria se assanhar na hora, é óbvio. Lula estabeleceu com essas exóticas figuras latino-americanas uma estranha relação: é uma espécie de chefe dos bandoleiros, embora seja constantemente humilhado por eles.
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