Por Reinaldo Azevedo:
Sabem por que Lula é assim tão generoso com o seu (não nosso!) “irmão menor”? Porque, no fundo, reconhece como politicamente legítima a ação doidivanas do candidato a ditador do Equador. Ora, claro que o rompante tem natureza eleitoral. Disso todos sabemos: constrangedor é que o presidente brasileiro, em vez de acusar a manobra, censurando que o país seja usado como bode expiatório, reconheça o movimento como normal. Não é.
Outro irmão menor, a Bolívia, já nos tomou a Petrobras, com a ajuda do também “familiar” Hugo Chávez. Fernando Lugo, do Paraguai, vai rasgar o contrato e arrancar do Brasil mais dinheiro pela energia de Itaipu. Todas as vezes em que a Argentina estrilou buscando salvaguardas no comércio bilateral, o Brasil disse “sim”. A família política de Lula é gigantesca. O país é tratado regionalmente como se fosse uma espécie de império — e o nosso imperialismo, originalíssimo, consiste em sempre mostrar o traseiro.
Observem que não houve, do Itamarati ou de Lula, uma só palavra de censura à porra-louquice do equatoriano. Nada! Mais: o Apedeuta trata tudo como se fosse uma mera questão de relações pessoais: “O Correa vai me ligar” — como se isso fosse evidência do seu prestígio... O fato é que Lula e Celso Amorim conduzem uma política externa, nesse e em outros casos, que tem muito pouco a ver com o Brasil e tudo a ver com o petismo e com o próprio Babalorixá. Há um claro empenho em fortalecer as posições de governos autoritários e/ou populistas como os de Chávez, Evo Morales, Correa e Lugo. Não se esqueçam de que estão todos devidamente representados no Foro de São Paulo, liderado pelo Brasil.
Jamais aconteceria, mas pensemos por hipótese: e se o governo americano — ou mesmo colombiano — aplicasse uma medida de força contra alguma empresa brasileira, perseguindo quatro de seus funcionários, ameaçando ainda romper um contrato com o país? A retórica beligerante iria se assanhar na hora, é óbvio. Lula estabeleceu com essas exóticas figuras latino-americanas uma estranha relação: é uma espécie de chefe dos bandoleiros, embora seja constantemente humilhado por eles.